quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Os VLTs Cobrasma e o projeto Pré-Metrô



Em 1975 iniciava a história do Pré-Metrô,quando da alteração do projeto original da Linha 2.Conforme dito no tópico do início do Metrô do Rio,o projeto do Pré-Metrô consistia em três lotes:
↔Lote 60: R.Pires Carvalho(650m após a estação Maria da Graça)-Tomás Coelho  
↔Lote 61: Tomás Coelho-Irajá 
 ↔Lote 62: Irajá-Pavuna

Ao final do ano de 1975 foram feitas as devidas licitações para a construção da "Pré-Metrô 1" e em fevereiro de 1976 abria-se o edital para o fornecimento de 68 carros do tipo Pré-Metrô .As propostas foram entregues somente em novembro,e a divulgação do vencedor saiu somente em março de 1977.Dos consórcios Cobrasma-BN of Belgium, Companhia Industrial Santa Matilde-MAM, e Mafersa-Duwag o primeiro saiu vencedor.Pelas datas percebe-se a morosidade tamanha da divulgação do edital,apresentação e entrega das propostas e resultado final...

Desenho com as medidas do VLT construído pela Cobrasma-BN

Foi acordado entre os participantes do consórcio o seguinte:Os primeiros 8 carros seriam produzidos na Béligica,já os outros 60 seriam fabricados na Cobrasma em São Paulo.Assim feito,em outubro de 1979 chegava a primeira unidade do Pré-metrô no Rio de Janeiro,vindo da Bélgica.Em dezembro o mesmo já realizava os testes iniciais no Centro de Manutenção.

 O VLT recém-chegado no Metrô carioca.Ele nunca rodou dessa maneira,já que recebeu modificações nas portas para que pudesse operar nas estações com plataformas de Metrô.

E a morosidade nas obras do Pré-Metrô também fez com que somente ao dia 19 de novembro de 1981,no curto trecho da Linha 2 entre São Cristóvão e Maracanã dois trens do Pré-Metrô fossem rodar comercialmente pela primeira vez,e ao dia 18 de maio em toda a extensão pronta da Linha 2,que era Estácio-Maracanã.Para a operação do trecho da Linha 2,os articulados sofreram modificações,as portas foram adaptadas para as plataformas do Metrô convencional e a colocação de sapatas de terceiro trilho no lugar dos pantógrafos.Só no dia 12 de março de 1983 os articulados chegaram a Maria da Graça.3 dias depois finalmente após sucessivas paralisações nas obras o primeiro trecho de Pré-Metrô é inaugurado:Maria da Graça-Irajá,no horário de 9 as 15h.
Por estas duas fotos precebem-se as modificações feitas nos VLTs que rodavam na Linha 2.Acima o VLT com alimentação de catenária e abaixo o VLT modificado para rodagem no sistema de terceiro trilho.

Some a morosidade das obras com a falta de investimentos na manutenção do Metrô,que estava levando a casos de canibalização dos carros Mafersa nos pátios para suprimentos de peças,causando sucessivos problemas operacionais e assim aconteceu o primeiro acidente com os VLTs n° 10 e 12,no dia 9 de janeiro de 1984.E ainda mais,os trens articulados adaptados ainda faziam a  Linha 2 Estácio-M.Graça pois não tinham sido instalados os devidos equipamentos de sinalização necessários para a rodagem dos carros tipo Metrô,além da necessidade de manter os Mafersas na Linha 1 para dar regularidade nos intervalos.Em 1984 o Pré-Metrô carregava muito abaixo do que eles poderiam transportar,e em dezembro do ano seguinte,o trecho "Pré-Metrô" entre Maria da Graça e Irajá foi desativado,principalmente causado por um estouro numa tubulação da Cedae,danificando drásticamente a via.E a montagem dos veículos estava também a passos lentos.Somente em 1986 o primeiro VLT fabricado na Cobrasma em Sumaré-SP passou a rodar na Linha 2,consequentemente a 9ªunidade.


E assim foi...As estações do Pré-Metrô além de terem sido invadidas sofreram vandalismos.Tanto é que em dezembro de 1987,dois anos depois,o Pré-Metrô somente foi reativado até Inhaúma e já começava a ser elaborado projeto das novas estações de Tomás Coelho,Engenho da Rainha,Vic.de Carvalho e Irajá...

As obras de revitalização das estações acima foram iniciados em 1988,juntamente com o reinício das obras do Lote 62 Irajá-Pavuna,paralisados em 1983.Estaria prevista também a construção do Centro de Manutenção de Acari,a favela que estava no local das futuras oficinas foi removida,os muros foram construídos mas este Centro de Manutenção nunca saiu do papel.Naquele mesmo ano a estação Triagem era inaugurada.Como tudo que é bom estava durando pouco no Metrô,assim como as verbas,as obras novamente foram paralisadas em 1989...

Dois VLTs do Pré-Metrô operando na estação Del Castilho,provavelmente.

Engenho da Rainha foi exceção e em março de 1991 foi inagurada.Além do mais,do contrato original de 68 carros do tipo Pré-Metrô,o Metrô só havia recebido 32. Isso porque ocorreu uma redução contratual de 6 carros, que foram vendidos para o fracassado sistema de VLT de Campinas,e ainda faltou receber 30 carros.Ainda assim 6 trens estavam acidentados,e um deles virou sucata por ter sido considerado irrecuperável.
 VLT do Pré-Metrô sucateado e acidentado,em 2008,onde atualmente passa uma das vias da Linha 1A.Com a construção desse viaduto o VLT foi removido do local e posteriormente cortado.

Em 1994 houve a integração dos serviços,ou seja a Linha 2 consistia em Estácio-Eng.Rainha agora,suprimindo a baldeação em Maria da Graça.E em 1996 são iniciadas obras de expansão,para finalmente levar o Metrô até a Pavuna,um projeto totalmente novo,que suprimiu as passagens de nível da Pré-Metrô 1,com a construção de novas vias elevadas e estações...No mesmo ano 5 trens tipo Metrô passaram a circular na linha 2 jutamnete com veículos do Pré-Metrô,algo que não acontecia desde 1982.Juntamente houve a modificação dos VLTs que rodavam na Pré-Metrô 1 Maria da Graça-Irajá para alimentação por terceiro trilho.


  Finalmente em 1998 a Linha 2 foi concluída,assim como iniciou a concessão da Opportrans no sistema metroviário carioca,passando a ser Estácio-Pavuna.Com a progressiva chegada dos 36 carros produzidos pela Alstom os VLTs começaram a receber ar-condicionado pela mesma empresa para continuarem rodando...Porém em 2002 eles já não rodavam mais na Linha 2,provavelmente por algum tipo de padronização dos veículos que rodavam na Linha 2,já que as características do Pré-Metrô em nada condiziam com o Metrô pesado,e além do fato de serem menores e destinado a transportar menos demanda,há também indícios da supressão deles por problemas na manutenção.

 Veículo do Pré-Metrô reformado com ar-condicionado,em circulação.Infelizmente teve vida relativamente curta...

  O destino dos 28 carros é até hoje muito incerto:algiuns dizem que os mesmos estão até hoje estacionados no rabicho da Tijuca(se estiverem uma hora terão de ser retirados para a construção da estação Uruguai,prevista para 2014 segundo o MetrôRio).Já outros dizem que estão no Centro de Manutenção na Cidade Nova.O que é certo é que o Pré-Metrô,apesar de tantos problemas,guardou uma vaga lembrança naqueles que usaram esses simpáticos VLTs...


5 comentários:

Eduvido disse...

Parabéns pelo Blog. Em Março de 2008 visitei o Centro de Operações do Metrô e vi que esses VLt'S poderiam ser usados na Linha 3(Niterói-São Gonçalo), antigo Ramal da Leopoldina.

Gilberto disse...

Caro andre os trens reapareceram e estão na cidade nova e mesmo que tenham menbor capcidade poderiam ajudar a diminuir o sufoco da gente que usa o metro

JHMelman disse...

Vi essas composições estacionadas entre Central e Cidade Nova... Não achei nenhuma notícia, infelizmente.

Seria um uso interessante eles serem usados como "transferência secundária" e que fizessem um trecho tipo Estácio-Del Castilho ou Eng. da Rainha...

João289 disse...

Parabens pelo Blog.
Recem chegado nesta cidade, não entendia os vagões (hoje descobri que são VLT's ) estacionados (ou abandonados). Acho que é uma falta de respeito com o povo carioca que poderia ser beneficiados, como utilização nos trilhos de Santa Tereza.

André Vasconcellos disse...

Três questões importantes:

1- Eles não podem circular no sistema de bondes de Santa Teresa, são absolutamente diferentes e intervenções para adaptá-los ao sistema custariam o mesmo que adquirir novos VLTs adaptados às peculiaridades técnicas do sistema de Santa Teresa.

2- Pelo tamanho diminuto dos VLTs e desempenho limitado, colocar os VLTs na Linha 2 é suicídio. Por isso eles foram descartados da operação na Linha 2 o quanto antes.

3- Colocar eles no projeto da Linha 3 seria interessante, mas dado o crescimento demográfico da região e os estudos de demanda já feitos, o ideal é a construção de Metrô "pesado" para essa linha, até mesmo para suportar a demanda que seria criada em caso da construção da ligação Niterói-Carioca.

Um uso possível para eles seria uma nova reforma e adaptação para o sistema de catenárias e consequente eletrificação do Vila Inhomirim. A demanda e a extensão da linha justificaria o uso dos VLTs nesse trecho. Mas isso depende da Supervia, em ter interesse nesses trens e na consequente reforma, e do Governo do Estado em repassar esses trens.